sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ética na vida privada e na vida pública.

Políticos usando dinheiro público para benefício próprio. Compra de votos. Superfaturamento. Tráfico de influência para "arrumar" a vida dos filhos e agregados.
A mídia tem sido pouco complacente com a galera que faz política. Ela não larga o pé dos políticos. Mas nitidamente está sempre visando o Palácio do Planalto.

A mídia, na dúvida, prefere queimar o filme de qualquer um se a "notícia" der "Ibope". Especialmente se tiver uma perspectiva, por mais tênue que seja, de que o escândalo conduza ao Lula.

Os escândalos da vida privada, porém, têm um "tratamento" à parte.

Dependendo do ator do processo a mídia se posta muito mais cautelosa e até tolerante. Com exceção, é claro, de gente pobre. Gente pobre recebe o mesmo ou até pior tratamento da mídia do que os políticos. Basta sintonizar os canais policialescos, aqueles cujos repórteres brincam de ser policiais e "arrancam" até confissões de acusados de crimes.

Mas vou deter-me a comparar a atuação da mídia apenas entre os políticos e as celebridades. E nem vou precisar revirar aqui neurônios de ninguém para relembrar os episódios mais recentes.
As "celebridades" envolvidas em tráfico de drogas ou crimes, os casos de infelizes envolvidos no vício de drogas como atores e atrizes globais só para citar um exemplo, e casos notórios de empresários famosos escravos das "carreirinhas" do flagelo branco que passam ao largo do bombardeio da mídia, mais centrada com os políticos.

A mídia, em geral, em vez de deter-se às notícias simplesmente tentam formar a opinião de leitores, ouvintes e telespectadores através de comentaristas "especializados" que, nitidamente, tentam "vender" a idéia de que "os exemplos, devem vir de cima", dos políticos, como se, de fato, eles estivessem "em cima" de nós, uma filosofia, no mínimo aristocrata e portanto antiga.
O papel do conjunto de concessões públicas que compõem a mídia brasileira deveria ser ou se deter a publicar as informações fossem quais fossem, sim mas sem o pretenso objetivo de formar opinião.
O povo não precisa de cabresto de jornalistas confusos ideologicamente que outrora foram comunistas e hoje professam o neoliberalismo, o entreguismo.
Será que não bastou os séculos de currais eleitorais e voto cabrestos a que foram submetidos os brasileiros da zona rural?
Agora, a mídia também quer encabrestar o povo?
Os comentários a partir de fatos políticos poderiam até existir mas sempre com o direito fundamental do contraditório.

Como aliás está sendo feito agora que a oposição está na berlinda com o Ex-Presidente do PSDB agora réu de processo de corrupção assim julgado pelo STF e os escândalos do Governador do DF filiado ao DEM, ex-PDS, ex-PFL, ex-ARENA, pois me nego a falar da sigla desse partido sem relembrar suas origens.

A mídia, no entanto, sempre preferiu criar um cenário de inquisição onde a pessoa é julgada e condenada à revelia da Justiça e tudo na frente de milhões de brasileiros atônitos.

A corrupção é um flagelo da humanidade. Do ponto de vista sociológico e antropológico.

As comunidades são corruptas. Não importa o país, a ideologia, a raça, o status social, o gênero.

Estatisticamente falando, o que eu quero dizer é que numa sociedade, sendo o conjunto universo sujeito à corrupção, qualquer amostra dele retirada terá a mesma proporção de corrupção.

Assim, se no processo eleitoral de uma cidade qualquer, as mazelas políticas e a corrupção campeia, tanto ativamente (na oferta de vantagens) como passivamente (na demanda de favores) é lógico que a Câmara dos Vereadores locais estará ungida da mesma proporcionalidade de corrupção passiva e ativa do município, ou seja, de vereadores honestos, limpos e também de vereadores que burlaram as leis eleitorais, compraram votos em troca de favores futuros, buscaram financiamentos escusos em troca de alianças futuras nos superfaturamentos.

O mesmo vai acontecer no nível Estadual e, obviamente, o mesmo no nível Federal.

Ora, ficarmos na expectativa de que os políticos que são oriundos da sociedade dêm exemplos para nós é no mínimo um contrasenso.

Para que possamos eleger políticos que sirvam de exemplo, temos que fazer a avaliação desses políticos de preferência no dia-a-dia de suas atuações legislativas.

E quem faz isso? Quem fica quatro, cinco horas plugado na TV Senado ou TV Câmara?
Quem tem tempo para ficar vendo TV prefere assistir programas leves de qualidade duvidosa como, por exemplo, o programa da apresentadora Angélica cujas indagações aos participantes de seus "quadros" lamentáveis são de uma futilidade atroz e estão contidos em detalhes imbecis de capítulos das novelas globais uma política de sanidade duvidosa que coloca a emissora na mesma situação do cachorro que fica girando, tipo, "correndo" atrás do rabo?

Dessa forma, a mídia entorpece a sociedade e, quando aparece algum escândalo no Congresso ela sai detonando o político, especialmente se ele é contrário aos interesses ideológicos da elite na qual a mídia se insere.
Surgem assim, verdadeiros "tribunais" inquisitórios como "as meninas do Jô" e o próprio Gordo que tenta alavancar a audiência de seu programa com um grupo de jornalistas ou pseudo-jornalistas que, na ânsia de aparecer, "caem" matando quem estiver na berlinda naquele momento com a certeza de que a emissora que norteia suas opiniões os livrará de eventuais processos de difamação e danos morais.
Por que nesses "tribunais" não são convocados jornalistas de opinião contrária ou mesmo os próprios "acusados" para se defenderem, na hora? Eis a característica inquisitória desse tipo de programa.
Agora, quando se trata de corrupção na iniciativa privada ou mesmo quando essa se dá justamente em países que a mídia sempre se avassalou apontando-nos como paradigmas, como as dezenas de Lords ingleses pegos em maracutaias iguais ou até piores que as dos congressistas brasileiros a mídia "pega leve" e não extende as reportagens como faz com os políticos brasileiros.

E quando os escândalos atingem a vida privada, como o caso da Fórmula Um, quando o jovem "Nelsinho" Piquet confessou uma ação espúrea provavelmente cooptado pela equipe, a mídia é complacente, pois, convenhamos, qualquer escândalo nas corridas, não vão interessar à mídia, no caso à TV Globo, já que as consequências vêm à cavalo com perda de pontos na luta pela audiência. Muita gente vai deixar de ver corridas se souber que existem fraudes no círculo da F1.
Então, similarmente à determinação que foi dada ao Barrichelo para deixar o Shumacher passar, assim como veio a ordem ao Nelsinho para bater no muro, virá certamente uma ordem da direção da Globo para limitar a exploração do assunto. Ou seja, censura prévia dentro da própria emissora.

Mas voltando para o assunto da corrupção e se os exemplos éticos devem vir de cima prá baixo ou de baixo prá cima, o certo é que não existe revolução de cima prá baixo. Existe sim revolução de baixo para cima.

Não podemos ficar atirando pedras nos telhados do Congresso se mães fazem os trabalhos escolares dos pequeninos para "impressionar" as "tias" dos jardins de infância com a "inteligência" dos seus rebentos...
A rede Globo ao investir-se de um corregedor da coisa pública deve ter sido alertada por sua consultoria jurídica para não deixar o próprio rabo na reta.

Refiro-me aos costumeiros informes que a emissora dá no meio das notícias de viagens de autoridades brasileiras em que os repórteres globais viajam juntos usufruindo do transporte público patrocinado pelo governo.

A TV Globo, por motivos óbvios, faz questão de frizar que calcula o valor da passagem de seu pessoal-carona e doa o valor ao Programa Fome Zero por exemplo.
Uma espécie de salvo conduto para continuar descendo o pau nos políticos e especialmente no próprio governo que lhe dá carona numa tentativa patética de mostrar-se ética e acima de qualquer suspeita.
Essa política de cautela acusatória também é adotada nas questões religiosas e na briga por audiência.

A Globo, uma emissora sabidamente católica, fez uma série inusitada de reportagens especiais sobre as ações caritativas de diversas facções de igrejas evangélicas para ter uma espécie de álibi para "cair matando" em cima da Igreja Universal do Reino de Deus e sobre a TV Record no recente episódio em que aquela igreja foi formalmente acusada de diversos crimes centrados no desvio de suas finalidades.
Outrora a rede Globo já se degladiava com a tal igreja do Bispo Macedo porém agora, de pá em punho e com o mesmo aparato de demonstração de ética (não fazer discriminação religiosa) mostra em suspeitos 10 minutos de reportagem em horário nobre do JN requintado ácido destruidor do "quarto poder", um poder não constitucional mas que, de fato, está instalado em nosso país.

Não teremos políticos exemplares se tivermos complacência com nossos filhos adolescentes pegos colando na escola.

Não teremos políticos honestos se formos complacentes com parentes ou vizinhos que espancam suas esposas ou agridem sexualmente crianças.

Eis a corrupção instalada na sociedade, no dia a dia.

Corrupção deveria ser matéria nas escolas. Desde o primeiro grau.
Saber tudo sobre corrupção não impedirá ninguém de ser corrupto. Mas, certamente, traria muito mais reflexões a todos no momento de avaliar a relação custo x benefícios e decidir com muito mais dignidade a respeito das ofertas espúreas das oportunidades suspeitas.
]
Foi o que deve ter ocorrido com o Nelsinho Piquet. Acabou se arrependendo.
E amargamente.
Mas certamente coisas parecidas já ocorrem com meio mundo...

Vender-se por solicitação do chefe, pela "oportunidade" no emprego.
Fico imaginando o dia em que os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário "resolverem" se juntar para pegar no pé da mídia.
Fico imaginando a Receita Federal, policiais militares, civis e federais de campana, "na cola" de diretores, Chefes, Jornalistas e Repórteres depois de encerradas suas pautas e "fechado" os editoriais só para verificar o que eles também aprontam a partir do happy hour seja nas rodas de jogos de cartas ou nos botecos a partir do primeiro gole de choppe...
Quem nunca viu um repórter, um fotógrafo ou um jornalista cambaleando de porre, cheio de cachaça, bem no estilo cu de bêbado não tem dono?

E o que mais que eles bebem, fumam ou cheiram? Será que um dia publicarão uma devassa interna como estão sempre sugerindo que se faça em todos os escalões do governo?
Se teoria da amostragem estatística que falei acima for realmente verdadeira, não vejo chance de haver "santos" no meio jornalístico também.
E a conclusão que se chega quando nos negamos a permitir que nossa opinião seja formada "na marra" é que estamos diante de sujos, falando de mal lavados.

Um comentário:

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